Como ajudar na regulação emocional da criança na primeira infância?

A primeira infância (do nascimento até mais ou menos seis anos) é uma fase cheia de descobertas – e de desafios também! Nessa idade, as crianças estão começando a entender que o mundo não gira só ao redor delas, mas ainda não sabem direito como lidar com emoções fortes, como frustração e raiva. E aí vem a grande pergunta: como ajudar os pequenos a controlar esses sentimentos sem grandes dramas?
Bom, a boa notícia é que existem várias formas de ensinar as crianças a lidarem com as emoções, e você pode começar agora mesmo!

 

Reforço positivo: valorize os bons comportamentos

Sabe quando a criança faz algo bacana, tipo esperar a vez no jogo ou dividir um brinquedo sem brigar? Esse é o momento perfeito para elogiar! Algo simples como:
“Que legal ver você dividindo o carrinho! Você está sendo muito gentil.”
Isso faz com que ela entenda que agir dessa forma traz benefícios – como atenção, carinho e até mais brincadeiras divertidas. E, claro, quanto mais ela perceber que essas atitudes são valorizadas, mais vai querer repeti-las!

Regras e limites: acolher não é ceder

Agora, vamos combinar: elogiar não significa deixar tudo correr solto. As crianças precisam de regras claras. Se seu filho fica bravo porque o tempo de tela acabou e tenta jogar o tablet no chão, o ideal é mostrar que isso não é aceitável.
Ao invés de gritar ou castigar, tente algo como:
“Eu sei que você queria continuar jogando e entendo que isso te deixou bravo. Mas não podemos jogar as coisas no chão quando estamos frustrados.”
Ou seja, você mostra que entende o sentimento, mas mantém o limite. Isso ajuda a criança a perceber que ficar chateada é normal, mas que existem formas mais adequadas de expressar isso.

Rotina: previsibilidade evita crises

Criança gosta de saber o que vai acontecer. Se tudo muda o tempo todo, a ansiedade vai lá para o alto! Então, criar uma rotina previsível ajuda – e muito.
Aqui vão alguns exemplos simples:

• Depois do almoço, sempre tem um momento de descanso.
• Só pode assistir ao desenho depois de guardar os brinquedos.
• Antes de dormir, sempre tem uma historinha ou um momento de relaxamento.
Quando a criança já sabe o que vem a seguir, as chances de birra diminuem bastante!

Estratégias para ajudar a criança a se acalmar

Tá, mas e quando a criança já está no auge da irritação? Algumas estratégias podem ajudar:
• Respiração mágica: Ensine a criança a respirar fundo algumas vezes (pode ser brincando de “cheirar uma flor e assoprar uma vela”).
• Cantinho da calma: Um espaço com almofadas, livros e objetos sensoriais para ela ir quando precisar se acalmar.
• Brincadeiras sensoriais: Massinha, pintura, abraçar um bichinho de pelúcia… tudo isso ajuda a aliviar a tensão.

O exemplo dos adultos faz toda a diferença

Pode parecer clichê, mas é verdade: as crianças aprendem muito mais com o que vemos do que com o que dizemos. Se os adultos ao redor dela estão sempre gritando ou perdendo a paciência, é provável que ela copie esse comportamento.
Então, sempre que possível:
• Respire antes de reagir.
• Fale com calma, mesmo quando estiver frustrado.
• Se errar (porque todo mundo erra), peça desculpas. Isso mostra que até os adultos também aprendem a lidar com emoções.

Conclusão

Ensinar uma criança a regular suas emoções não é uma tarefa fácil – mas é possível! O segredo está no equilíbrio: acolher os sentimentos, reforçar os comportamentos positivos e manter regras claras. Isso faz com que a criança cresça mais segura e aprenda a lidar com o mundo de forma mais tranquila.

E aí, pronto para colocar essas dicas em prática?

 

Abraços.

Referências

1. Gomes MRR, Brino RF, Gauer GJC. Regulação emocional em crianças pré-escolares: um estudo exploratório. Psicol Esc Educ. 2018;22:e195918. doi: 10.1590/2175-353920180159918.
2. Bolsoni-Silva AT, Mariano LHT. Regulação emocional na infância e práticas educativas parentais. In: Del Prette A, Del Prette ZAP, editores. Psicologia escolar: práticas e possibilidades. São Paulo: Pearson; 2012. p. 173-90.

 

Foto de Nadja Victoria

Nadja Victoria

Sou Nadja Victoria, casada, mãe da Helô, psicóloga e especialista em Análise do Comportamento. Minha grande paixão é o atendimento clínico infantil, em especial a primeira infância, mas ao longo da minha trajetória também atuei como Acompanhante Terapêutica (AT) no ambiente escolar e domiciliar. Além da experiência em supervisão clínica. Desde 2018, venho me dedicando a ajudar crianças e suas famílias a compreender e lidar melhor com as emoções, os desafios do desenvolvimento e, principalmente, as particularidades do autismo. Utilizo técnicas baseadas na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para auxiliar no desenvolvimento das crianças e na orientação parental, ajudando as famílias a compreender e lidar com desafios emocionais e comportamentais de forma mais assertiva e empática. Aqui, compartilho conteúdos baseados na minha experiência profissional e no que aprendi ao longo dos anos, trazendo informações com base científica, estratégias práticas e reflexões sobre o desenvolvimento infantil e os desafios emocionais das crianças. Se você é pai, mãe, cuidador, professor ou profissional da área, este espaço foi feito para você! Fique à vontade para explorar, aprender e trocar experiências comigo. Vamos juntos transformar o cuidado e o desenvolvimento infantil de forma leve.

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